Ejaculação Precoce
A Ejaculação Precoce, também chamada de Prematura ou Rápida, é uma disfunção sexual que atinge em média 1 em cada 5 indivíduos do sexo masculino. É também a disfunção sexual menos diagnosticada e tratada (apenas cerca de 9% das pessoas com ejaculação prematura procuram ajuda).
O que é?
Ao contrário do que muitos pensam, não se trata apenas de um problema de jovens inexperientes. A ejaculação precoce pode afetar homens mais velhos que nunca sofreram de tal. Frequentemente, torna-se motivo de piadas e ridicularização, dificultando a procura de ajuda.
Pode ser explicada como a incapacidade de um homem atrasar o orgasmo e a ejaculação (na gíria, “vir-se”) de forma a que ambos os envolvidos possam desfrutar de uma experiência sexual satisfatória (sem que existam outros problemas sexuais que possam causar a disfunção).
Como se define?
Trata-se de uma sensação vivida pelo homem de que o período de tempo desde a penetração à ejaculação é demasiado curto, de que é incapaz de ter controlo sobre a sua ejaculação. Está associada a preocupação e/ou sofrimento por parte de quem dela sofre.
Convencionalmente, os autores definem o problema para ejaculações que ocorram até 1 a 2 minutos após a penetração, ou antes. Porém, não existe uma duração do ato sexual até ejacular dito como normal, sendo importante referir que o tempo até ejacular pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com situações ou fases da vida.
Mais tempo nem sempre é melhor!
A televisão e os filmes não ajudam quando retratam cenas sexuais em que casais (tipicamente heterossexuais) com muito boa aparência mantêm o ato sexual de forma ininterrupta durante um considerável período de tempo, enquanto o homem mantém um ar bastante confiante e a mulher atinge múltiplos orgasmos.
Na vida real as coisas não são assim! A duração média do ato sexual (desde a penetração ao orgasmo) ronda em média os 5 minutos, embora possa variar consideravelmente.
Desde que o ato seja satisfatório para ambos parceiros, o tempo não deverá ser visto como um problema. Trinta segundos de intensa excitação e intimidade são melhores do que 10 minutos de rotina e aborrecimento!
Apesar de existir tratamento farmacológico, a primeira abordagem deverá passar por medidas não farmacológicas:
Aprenda a controlar a sua ansiedade:
Muitas vezes esta está relacionada com a reduzida frequência ou experiência sexual, com medos associados ao sexo e com falsas expectativas de fracasso que se criam.
Não se foque na duração do ato sexual:
Os homens com ejaculação precoce centram a sua atenção no tempo do ato sexual e assumem que o parceir@ tem o mesmo foco, esquecendo-se que este poderá não ter a mesma preocupação e estar mais interessado em outros aspetos da relação (beijar, tocar, agarrar, abraçar, preliminares).
Algumas técnicas que poderá aplicar:
1. Pratique técnicas de relaxamento (como o ioga);
2. Durante o ato, abstraia-se com pensamentos não-sexuais e pouco estimulantes;
3. Opte por posições que exerçam menor pressão nos orgãos genitais (evite a posição de missionário, por exemplo);
4. Aplique a técnica do “parar e recomeçar”: pedindo para parar o contacto sexual numa fase imediatamente anterior à fase de clímax (em que não há possibilidade de retroceder, e à qual se segue a ejaculação), permitindo que o seu nível de excitação diminua ligeiramente (digamos, durante meio minuto), retomando depois e repetindo o processo de parar quando sentir que se está a aproximar de novo do ponto de ejaculação;
5. Técnica da “compressão”: consiste em comprimir firmemente e durante cerca de 10 segundos a base da glande do pénis utilizando os dedos médio, indicador e polegar. Deve ser aplicada imediatamente antes da ejaculação e após ter cessado qualquer estimulação do pénis, reduzindo assim a resposta reflexa da ejaculação, podendo após recomeçar a estimulação e repetir o processo caso seja necessário;
6. Masturbe-se antes da relação sexual: cerca de uma a duas horas antes, o que lhe permitirá reduzir os níveis de excitabilidade e alongar o tempo de inevitabilidade ejaculatória;
7. Utilize preservativo: dando preferência aos que apresentam propriedades retardantes pela redução da sensibilidade peniana que provocam.
Através destas técnicas vai adquirir a capacidade de identificar o seu intervalo médio de excitação, passando por uma série de exercícios graduais que começam com a auto-estimulação, seguindo para a estimulação manual pelo parceir@, contacto genital sem movimento e, finalmente, contacto com movimento. Este processo gradualmente aumenta o tempo de latência de ejaculação, a confiança sexual e a autoestima.
Envolva o parceir@ sexual no tratamento:
Os indivíduos com ejaculação precoce têm demonstrado maiores dificuldades em se relacionarem com os outros, do que os indivíduos saudáveis.
Caso esteja numa relação, incluir o parceir@ no processo de tratamento poderá ser importante, mas não obrigatório, para o sucesso do tratamento. Porém, sabe-se que aumenta a eficácia do tratamento e melhora, não só a relação sexual do casal, mas também, outros aspetos da relação.
Deverá falar do que gosta e não gosta na relação e não tentar fazê-lo adivinhar. Deve também perguntar-lhe sobre os gostos dele.
Psicoterapia e outras intervenções psicológicas:
Poderão ser dirigidas unicamente ao indivíduo ou ao casal e têm dois objetivos principais. O primeiro, ajudar a desenvolver a capacidade de retardar a ejaculação, aumentar a autoconfiança no desempenho sexual, diminuir a ansiedade de performance e alargar os papéis na relação sexual. O segundo foca-se em resolver problemas psicológicos e interpessoais, do indivíduo, parceir@ ou casal, que poderão ser fatores precipitantes, de manutenção ou causados pela ejaculação precoce.
Entre os fatores identificados, podemos ter fatores associados ao doente (ansiedade de performance e autoconfiança); associados ao parceir@ (disfunção sexual do parceir@); associados ao casal (conflitualidade ou ausência de comunicação); associados à relação sexual (papéis na relação, satisfação sexual); fatores ambientais (eventos de stress relacionados com o dia a dia).
Os modelos atuais de psicoterapia na ejaculação precoce preconizam terapias breves e integrativas (cognitivo-comportamental, psicodinâmica e sistémica), sendo que o tratamento pode ser individual, de casal ou grupo.
No geral, tratam-se de intervenções eficazes e suficientes, numa boa parte dos casos, que procuram alcançar uma melhoria da auto-confiança e autoestima individuais, bem como, uma melhoria na comunicação do casal.
A Saúde Sexual é tão importante como outros aspetos da saúde, devendo procurar ajuda profissional caso tenha um problema sem receios ou vergonha.
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