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ELECTROCONVULSIVOTERAPIA

 

O que é a electroconvulsivoterapia (ECT)?

É uma técnica de tratamento médico que tem como objectivo a estimulação eléctrica cerebral.

 

 

Em que situações se utiliza?

A electroconvulsivoterapia é utilizada em:

 

- Situações em que é necessária uma resposta rápida ao tratamento, dado o risco de vida (ex.: situações em que o doente não consegue alimentar-se ou hidratar-se, ou quando existe elevado risco de suicídio);

- Quando a utilização de medicamentos não é a melhor escolha (ex.: durante a gravidez);

- Situações em que os medicamentos não foram eficazes (ex.: depressão resistente à medicação)

Estas situações surgem com alguma frequência em alguns quadros depressivos, na Perturbação Bipolar (episódios maníacos e depressivos sem resposta ao tratamento) e na Esquizofrenia.

Em algumas situações clínicas pode ser usada como primeira opção de tratamento, como acontece na catatonia e na depressão psicótica.

 

 

Como se realiza a ECT?

Antes da sua realização o doente vai ser avaliado pelo anestesista, para conhecer a sua situação de saúde em geral. Todo o procedimento é explicado ao doente, assim como a duração do tratamento e o número de sessões previstas. O doente tem oportunidade de esclarecer todas as suas dúvidas e terá de assinar um documento em que dá o seu consentimento informado, tal como acontece antes de qualquer procedimento cirúrgico. Depois serão agendadas as diferentes sessões previstas.

 

Para a realização de cada sessão de ECT o doente tem de estar em jejum. Com a devida privacidade e condições médicas, o doente é deitado e é-lhe colocado soro. Será no sistema do soro que o anestésico e o relaxante muscular serão administrados, de forma a causar sonolência e relaxamento dos seus músculos.

 

Durante todo o tratamento serão monitorizados os valores de tensão arterial, saturação de oxigénio, eletrocardiograma, eletromiograma (exame que avalia o funcionamento dos muscular, nervos e transmissão neuromuscular), pulsação e frequência respiratória. Enquanto estiver adormecido, a sua respiração será assistida com oxigénio.

 

Através de elétrodos colocados no couro cabeludo serão aplicadas pequenas correntes eléctricas que estimularão o cérebro. A utilização das correntes eléctricas provoca uma descarga elétrica cerebral, observada através do eletroencefalograma (exame que avalia a atividade elétrica do cérebro).

 

O doente não vai sentir nada e quando acorda encontra-se numa pequena enfermaria de recobro acompanhado de enfermeiros e de médicos, onde deverá permanecer cerca de uma hora em observação. Durante este período será avaliado a frequência cardíaca, a tensão arterial, o eletrocardiograma, os movimentos respiratórios e a saturação de oxigénio.

Após este período de observação o doente regressa a casa ou ao serviço de internamento, caso se encontre internado.

 

 

Como se explica que a estimulação do cérebro através de correntes eléctricas, corrija os sintomas psiquiátricos?

A corrente eléctrica vai provocar a estimulação do cérebro do doente, nomeadamente dos centros que controlam o pensamento, o humor, o apetite e o sono, levando a alterações químicas cerebrais. Desta forma permite o controlo dos sintomas e a recuperação da doença.

 

 

Durante o tratamento sente-se dor?

Contrariamente ao que é mostrado em vários filmes e séries televisivas, a electroconvulsivoterapia é um processo indolor.

O doente não tem dor!

 

 

Quais são os riscos?

Esta técnica é uma das técnicas médicas realizadas com anestesia mais segura. Calcula-se que o risco de lesão grave ou fatal seja equivalente ao risco existente no parto.

 

Os doentes com problemas cardíacos poderão ter maior risco, no entanto podem ser tomadas precauções, tal como a monitorização cardíaca e aconselhamento de um cardiologista, permitindo a sua realização em segurança.

 

Mais raramente poderão surgir dores de cabeça e dos músculos, nas horas após a realização de cada sessão de ECT.

 

A sua memória para factos recentes poderá ficar alterada, dificultando a recordação de nomes ou situações do dia-a-dia que tiveram lugar nos dias perto dos tratamentos. Em geral, a pessoa recupera ao fim de alguns dias ou semanas, mais raramente ao fim de meses.

Não tem efeitos a longo prazo na sua memória ou na sua inteligência.

 

 

Posso morrer por causa da electroconvulsivoterapia?

A mortalidade e morbilidade deste tratamento são muito baixas, sendo equiparável ao risco de ser submetido a uma pequena cirurgia.

Estudos recentes apontam valores de mortalidade na ordem de 1/100.000.

 

 

Posso conduzir depois de cada sessão?

É desaconselhada a condução de viaturas no dia do tratamento, dadas as alterações de memória temporárias. É por isso obrigatório que o doente venha acompanhado para a realização do tratamento por ECT.

 

 

Porque existe tanta controvérsia sobre a ECT?

Durante anos, alguns movimentos defenderam que as doenças psiquiátricas não existiam, e que representavam apenas a manifestação de formas de Ser ou Estar menos comuns e mais afastadas do que era socialmente aceite. Estes diziam que a ECT era uma prática brutal.

Na década de 80, os órgãos de comunicação social e a indústria cinematográfica contribuíram também para divulgar a ECT como uma prática desumana, contribuindo para a criação de uma visão negativa deste tipo de tratamento na sociedade.

 

O desenvolvimento do conhecimento sobre as doenças mentais, a par do desenvolvimento de novas tecnologias, permitem hoje reconhecer esta técnica como segura, eficaz e capaz de fornecer melhores condições de vida para os doentes, com o controlo mais rápido dos sintomas, uma recuperação mais célere e uma mais rápida reintegração na vida activa.

 

Este tratamento é considerado um dos tratamentos mais eficazes e seguros para várias doenças psiquiátricas.

 

Onde posso ler mais sobre ECT?

 

ANSIEDADE PERTURBAÇÃO BIPOLAR P. OBSESSIVO-COMPULSIVA DEPRESSÃO ESQUIZOFRENIA PSICOSES SUICÍDIO E AUTOAGRESSÃO ECTs ÁLCOOL
DISFUNÇÃO SEXUAL
PERTURBAÇÃO DE JOGO