SM

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sexualidade abrange diversos aspetos da experiência humana: as diferenças biológicas entre mulheres e homens, as identidades e papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A sua vivência e expressão também engloba vários domínios, como pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos.

 

Adicionalmente, a OMS refere que a sexualidade é influenciada pela interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, culturais, legais, históricos, religiosos e espirituais. Trata-se de um aspeto central da experiência humana ao longo da vida que, como se viu, resiste a que se fixe uma definição universal.

 

Género é um termo de uso mais recente que, comparativamente à noção de sexo feminino e sexo masculino, vem sublinhar que muitas das características atribuídas a ser-se mulher ou homem têm por base as sociedades e culturas, e não a biologia. De acordo com a OMS, a palavra género refere-se às características de mulheres e homens que são socialmente construídas, como seja regras, papéis e relações sociais. Trata-se de características que variam quer com as sociedades, quer com os períodos históricos de cada sociedade. Embora a nossa cultura tenha definições convencionais para o que é ser mulher ou homem, a OMS sublinha a existência de identidades de género às quais tais definições não se aplicam.

 

É constante a presença do género e da sexualidade na nossa história pessoal e na maneira como estamos com quem nos rodeia.Com estas duas dimensões, somos colocados perante aquilo que nos cabe fazer enquanto mulheres ou homens, a forma como vivemos (e nos é permitido viver) a paixão e a intimidade, o encontro com os prazeres, a demonstração das nossas competências e forças, a construção de um espaço de aconchego e crescimento com um outro, fazer-se mãe ou pai, entre outras questões.

 

Inescapáveis e incorporados, o género e a sexualidade também podem conduzir a períodos de angústia, dúvida, tristeza, desistência. Em alguns desses momentos, consegue-se encontrar soluções para essas dificuldades, frequentemente pela partilha com pessoas próximas ou mais experientes. Outras vezes, torna-se importante procurar apoio de profissionais de saúde que, tendo conhecimentos e treino em várias áreas e acompanhando muitas pessoas com casos semelhantes, podem oferecer ferramentas para lidar com as dificuldades, espaços de conforto e de trabalho terapêutico, informação específica e bem fundamentada, encaminhamento para outros profissionais e recursos.

 

Em termos clínicos, as dificuldades sexuais são um campo amplo, relacionando-se com aspetos biológicos, psicológicos, interpessoais, sociais e culturais. Os problemas sexuais habitualmente relacionam-se com dificuldades em mais do que um deste aspetos, algo que é tido em conta na avaliação do problema e na proposta de apoio terapêutico.

 

Assim, nesta área da saúde - Sexologia Clínica – procura-se recorrer a instrumentos de vários tipos (aconselhamento, psicoterapia individual, psicoterapia com casal, medicação) e à colaboração de várias áreas profissionais (psicologia clínica, endocrinologia, psiquiatria, ginecologia, urologia, enfermagem, fisioterapia).

 

As dificuldades sexuais são frequentes, porque são consequência do próprio modo como o corpo, a mente, a intimidade e a sociedade funcionam. As dificuldades sexuais não são um fracasso ou culpa de uma pessoa, mas antes, algo indissociável do que é a biologia e a cultura humanas. Daí que, naturalmente, as dificuldades sexuais sejam um tema de trabalho para os profissionais de saúde, que nesse cruzamento da biologia com a cultura procuram oferecer apoio. As dificuldades sexuais são, na sua maioria, reversíveis com terapêuticas relativamente simples, O maior obstáculo à resolução dos problemas sexuais é, frequentemente, a demora em obter ajuda.

 

Não adie mais. Na presença de uma dificuldade e/ou problemática sexual, procure ajuda através de profissionais de saúde com experiência em terapia sexual e medicina sexual, disponíveis na comunidade (centros de saúde, centros de juventude, linhas de apoio) ou em hospitais (Consulta de Sexologia do CHPL).

 

 

 

 

NOTAS DE ACONSELHAMENTO PARA PROBLEMAS SEXUAIS *

Judy Greenwood e John Bancroft **

* tomando como exemplo homens e mulheres de orientação heterosexual

** tradução livre e adaptada

 

Estas notas destinam-se a ajudá-lo a compreender melhor as razões pelas quais podem ter surgido os seus problemas sexuais e explicar-lhe como o aconselhamos a enfrentá-los desta maneira.

 

 

PORQUE SURGEM PROBLEMAS SEXUAIS?

O sexo é uma função natural como a digestão e, tal como a digestão, pode ser perturbado por toda uma série de problemas que normalmente não envolvem fatores físicos.

 

Todos nós aceitamos que uma alimentação pouco cuidada, andar à pressa, sentir pressões, ansiedade ou estar de mau humor podem conduzir à falta de apetite, indigestão, diarreia ou prisão de ventre, muito embora o corpo esteja basicamente saudável. Também sabemos que se comermos normalmente e com calma o nosso sistema digestivo funciona naturalmente e conseguimos apreciar a comida.

 

De modo semelhante (embora poucas pessoas assim o compreendam), se permitirmos que o sexo aconteça natural e descontraidamente, os nossos corpos responderão normalmente sem qualquer esforço consciente da nossa parte.

 

Como exemplos vulgares de problemas ou situações que podem perturbar esta resposta sexual normal, damos os seguintes:

 

1. Falta de compreensão ou falta de informação sobre o sexo:

- Não saber o que esperar ou o que fazer.

 

2. Atitudes negativas em relação ao sexo ou às suas consequências:

- Medo de ficar grávida ou de sentir dor;

- Medo de ser “apanhado”, ouvido ou interrompido;

- Medo de não ser capaz de atuar normalmente ou bem;

- Medo de perder o controlo ou de se tornar animalesco, com falta de dignidade, incontinente ou pouco atraente;

- Receio de que o parceiro perca o controlo;

- Culpabilidade, pensar que o sexo é errado;

- Nojo, sentir que o sexo é sujo ou porco.

 

3. Problemas na relação:

- Sentir-se zangado, amargo ou ressentido em relação ao parceiro;

- Sentir-se inseguro ou com receio de ser ofendido.

 

4. Atitudes negativas em relação a si próprio:

- Sentir-se deprimido, inútil, não merecedor de sentir prazer;

- Sentir-se pouco atraente, infeliz com o seu próprio corpo.

 

5. Circunstâncias desfavoráveis:

- Sentir-se demasiado cansado, apressado ou preocupado com outras coisas;

- Falta de conforto, bem-estar ou privacidade.

 

6. O álcool, certas drogas ou medicamentos:

- Estes podem interferir com a resposta sexual normal.

 

7. Estar em “baixo de forma”:

- O apetite sexual, tal como a vontade de comer, desaparece muitas vezes (embora não sempre) depois de se estar doente ou de ter tido um acidente. Volta gradualmente à medida que a saúde se restabelece.

 

 

COMO É QUE ESTES PROBLEMAS AFETAM A RESPOSTA SEXUAL?

Hoje sabe-se claramente que os problemas sexuais são causados por inibição da resposta natural, mas não se sabe tão bem como é que o medo de falhar mantém este tipo de problemas. O ressentimento ou as dificuldades iniciais podem já ter sido ultrapassados, mas o círculo vicioso de preocupação em relação ao falhar mantém-se. O próprio começa a observar a sua atuação como um espetador em vez de se deixar envolver totalmente no que se está a passar e quanto mais se observa menos responde.

 

Além disso, se um dos parceiros não consegue responder, o outro fica igualmente ansioso em relação à atuação e começa a duvidar das suas capacidades como parceiro sexual. Um parceiro não envolvido é coisa que não existe, portanto não transforme um de vós em paciente e o outro em terapeuta – AMBOS estão envolvidos no problema.

 

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS

1. Melhore a comunicação dentro da relação para aliviar os ressentimentos e faltas de compreensão que mantêm vivo o problema sexual.

 

2. Corrija a ignorância e os equívocos que tem sobre o sexo.

 

3. Aprenda formas de evitar o papel de “espetador” e permita a si próprio descontrair-se e tirar prazer das suas respostas sexuais naturais. Estabelecendo limites para aquilo que você é capaz de fazer fisicamente durante um certo período de tempo permitir-lhe-á concentrar-se e voltar a familiarizar-se com as sensações do seu corpo sem nenhum objetivo em mente.

 

 

PONTOS IMPORTANTES

Esta nossa abordagem é sobretudo educativa – não está a curar nenhuma doença, mas sim a aprender novas e mais satisfatórias maneiras de se relacionar com o seu parceiro. Tal como qualquer outro processo de aprendizagem, a responsabilidade relativamente à mudança cabe a cada um. Se quiser utilizar bem estes conselhos, terá que fazer em comum com o seu parceiro um esforço especial para conseguir todas as nossas sugestões.

 

Precisarão de reservar algum tempo para estarem sós; tempo para conversarem um com o outro sem interrupções, quer seja das crianças ou de outra ordem; tente arranjar uma meia hora regular (ou mais) durante o dia que seja exclusivamente para o casal.

 

Terá que igualmente reservar tempo para três sessões por semana, no mínimo, dedicadas ao contacto físico. Contudo, quanto mais espontânea e naturalmente surgirem essas ocasiões melhor. Necessitará de privacidade (uma fechadura na porta do quarto não é anti-social) e conforto. Se o isolamento acústico for um problema, ligue o rádio. Ir para a cama cedo é a melhor maneira de arranjar tempo para estas sessões. Tomar uma bebida alcoólica antes de ir para a cama também pode ajudar a relaxar. Mas várias não, visto que prejudica.

 

Não espere milagres logo no início. Até é possível que inicialmente tenha que se forçar a si próprio a ter este comportamento. Isto não é nada de espantar se há muito tempo que o sexo lhe é negativo. Terá que desaprender todos os seus velhos hábitos e atitudes, passar uma esponja sobre o assunto e permitir que as suas emoções naturais surjam de novo – se é isto que você deseja.

 

Mesmo que deseje ter um bebé, é preferível adiar a gravidez até ter oportunidade de melhorar a sua relação sexual. Por este motivo, aconselhamos a utilização de um método anticoncecional eficaz enquanto segue estas diretrizes.

 

Sugerimos que você e o seu parceiro leiam estas notas e decidam independentemente um do outro se querem trabalhar juntos para melhorar agora a vossa relação, e se estão preparados para se empenharem totalmente, pondo algum tempo de parte para este fim, fazendo um esforço e aceitando os limites acordados sobre a vossa relação física durante um curto período de tempo.

 

 

A COMUNICAÇÃO

- Diretrizes: tal como foi referido na introdução, os problemas sexuais surgem frequentemente por existirem outros problemas na relação e mesmo quando não é este o caso podem conduzir a problemas que, por sua vez, estraguem a relação e mantenham as dificuldades sexuais. Torna-se, portanto, necessário observar quais as questões que podem afetar a relação sexual.

 

Há dois aspetos do relacionamento que são importantes para o sexo, mas que, se melhorados, terão benefícios mais generalizados. São eles:

 

1. Uma boa comunicação e utilizar reforços positivos deixando de punir o seu parceiro.

 

2. Nunca é tarde para aprender novas formas de comunicar, independentemente de há quanto tempo o casal já se encontra junto, e, na nossa experiência, melhorar a comunicação é essencial para se resolver um problema sexual.

 

- Eis alguns princípios básicos de comunicação:

 

1. Tentem comunicar um com o outro como dois adultos.

Em muitas relações, o parceiro comunica como pai e a parceira como criança e noutros a mulher porta-se como mãe em relação ao homem, que reage como filho. Estas relações de “pais e filhos”, não fomentam nem encorajam uma resposta sexual adulta e saudável. Os pontos seguintes auxiliam a manter a igualdade de estatuto entre o casal.

 

2. Ensine-se a si próprio a “auto-afirmar-se” e a “auto-proteger-se” utilizando expressões: “eu gostaria” ou “sinto-me ferido porque”, em vez das tradicionais: “devíamos” ou “porque é que não fazes”.

 

O método mais habitual de comunicação (muitas vezes considerado altruísta) é pensar ou adivinhar aquilo que o parceiro gostaria, em vez de dizer primeiro aquilo que o próprio desejaria.

 

Este método pode acarretar vários tipos de problemas:

  • Pode ter estado sempre a adivinhar erradamente e o seu parceiro nunca lho quis dizer, com medo de o magoar (ser altruísta mais uma vez), pelo que quaisquer suposições sobre aquilo que o outro gosta podem ser bastante incorretas. Um modo muito mais seguro e menos complicado de comunicar é exprimir os seus próprios pensamentos, sensações e ideias e deixar que o seu parceiro faça a mesma coisa. Afirmando-se e protegendo-se a si próprio, mantém-lhe a “casa em ordem” e permite que o seu companheiro faça o mesmo, pelo que estão ambos igualmente representados e igualmente protegidos. E assim o trabalho de adivinhar deixa de existir na relação.

 

3. Encoraje o seu parceiro a utilizar o termo “eu” e permita-lhe exprimir sentimentos de pessoa ferida sem reagir de modo demasiado violento e desanimador para quem pretende exprimir os seus próprios sentimentos. Ambos têm direito a sentir o que sentem e deviam deixar que esses sentimentos fossem livremente expressos. Respeitar os seus próprios sentimentos e os do outro é crucial. Os sentimentos são coisas reais quer você ache que são justificados ou não. Se não forem devidamente tratados e expressos de modo adequado, poderão tornar-se um peso e destruir a relação.

 

4. Terão de negociar de uma forma justa em ocasiões em que cada um de vós deseja fazer uma coisa diferente. Por exemplo, se um quiser preto e o outro quiser branco, ambos se manifestaram. Em vez de terem cinzento todos os dias, é muito melhor ter preto num dia e branco no outro. Isto terá um efeito muito mais positivo do que estar sempre a repisar sobre as coisas más.

 

 

RESPOSTAS SEXUAIS

Estas respostas podem resultar de todos os tipos de fatores: desde fantasias, de ver uma pessoa atraente, de ouvir música agradável, fazerem festas, beijarem e acariciarem-se um ao outro, até à penetração.

 

Estas respostas sexuais passam normalmente por três fases:

a) Excitação;

b) Clímax ou orgasmo;

c) Resolução ou regresso ao ponto inicial.

 

a) Fase da excitação

No homem, a ereção do pénis pode ser a primeira coisa a acontecer. À medida que a estimulação aumenta, o homem sente-se mais excitado, respira de um modo mais pesado e pode sentir-se tenso e transpirado.

 

Na mulher, o inchaço ligeiro dos lábios exteriores da vagina e o aumento da lubrificação dentro desta ocorrem na fase inicial, tal como a ereção no homem. À medida que a estimulação sexual aumenta, aumenta também a excitação e surgem outras respostas físicas.

 

A parte mais funda da vagina “expande-se em forma de balão” à medida que a excitação aumenta, pelo que só a parte mais exterior se encontra em contacto direto com o pénis do homem durante as relações sexuais (um ponto importante para os homens que se preocupam com o facto de terem um pénis muito pequeno).

 

Não é prejudicial parar durante a fase de excitação antes de atingir o clímax. A frustração desagradável resulta normalmente de se esperar mais do que aquilo que se obtém (por outras palavras, é um problema psicológico e não um problema físico).

 

b) Fase de clímax

À medida que a excitação aumenta, o homem atinge um ponto onde já não pode retroceder, a que se segue a ejaculação, independentemente daquilo que aconteça. O líquido ejaculado pode variar em quantidade, é limpo e contém açúcar, por exemplo, para alimentar o esperma. Ao ejacular sente o clímax, ou seja, um aumento súbito de tensão e uma descarga desta, a que se segue uma sensação de bem estar e de calma.

 

A mulher sente, principalmente, um aumento de tensão sexual e uma descarga desta; - é semelhante a um “espirro” mas muitíssimo mais agradável. Dura aproximadamente entre 5 a 15 segundos. Existem normalmente contrações das paredes da vagina e do músculo que a rodeia, de que a mulher pode ou não aperceber-se. A maioria das mulheres necessita que lhe acariciem o clítoris antes de atingirem o orgasmo.

 

O homem e/ou a mulher podem sentir não haver necessidade de ter orgasmo todas as vezes que têm relações.

 

c) Fase de resolução

Esta é a bonança depois da tempestade em que o corpo se relaxa e ambos os parceiros se sentem completos e calmos, muitas vezes agradavelmente ensopados e descontraídos. Na mulher, a sensação de inchaço ou congestão pélvica, e a sensação geral de excitação pode demorar mais tempo a desaparecer, especialmente se não atingiu o clímax.

 

 

ALGUNS MAL-ENTENDIDOS SOBRE A RESPOSTA SEXUAL

1. O pénis pode tornar-se ereto numa fase inicial, especialmente nos homens jovens. Isto não significa que ele esteja necessariamente pronto para ter relações sexuais e pode começá-las demasiado cedo, ou seja, antes da sua parceira estar preparada, podendo ela ficar ansiosa porque sente que o está a fazer esperar.

 

2. A lubrificação vaginal pode manter-se escondida dentro da vagina, especialmente quando a mulher está deitada. Ambos os parceiros podem pensar que ela não está a responder, quando de facto está. Lembre-se de que o pénis dá um sinal mais óbvio de resposta do que a vagina.

 

3. A excitação vem por ondas. Tanto o homem como a mulher podem sentir que a excitação vai e vem, com o respetivo aumento e diminuição da ereção e da resposta vaginal. Isto é perfeitamente normal. Uma quebra não significa que algo está errado, portanto não fique ansioso por estar a reagir deste modo.

 

4. Ejaculação prematura. “Vir-se” cedo demais (isto é, antes de qualquer um dos parceiros o desejar) é normal nos homens, principalmente quando se encontram muito excitados e quando decorreu muito tempo desde a última ejaculação. Tem de aprender a controlar este facto. As indicações dadas mais abaixo auxiliá-lo-ão a aprender a fazê-lo. Uma ejaculação demasiado rápida poderá levar igualmente a mulher a preocupar-se por demorar demasiado tempo a atingir o clímax.

 

5. Muitas mulheres nunca têm orgasmo e, no entanto, respondem com uma excitação adequada. Isto não significa que sejam “frígidas”. Na maioria das relações sexuais iniciais os orgasmos são raros para as mulheres, contudo ambos os parceiros podem ficar extremamente ansiosos em relação a esta questão. Algumas mulheres fingem que têm o orgasmo para agradarem aos companheiros. Quanto mais o companheiro exigir o orgasmo à mulher, menos probabilidade ela tem de o atingir, pois necessita de se sentir descontraída, confiante e liberta de pressões. Enquanto que a ansiedade relativamente ao seu desempenho, leva o homem a ejacular mais rapidamente (na maioria das vezes) na mulher tem o efeito oposto.

 

6. Ouvir o homem ressonar um minuto depois de ter ejaculado pode provocar ressentimentos se a mulher ainda sentir necessidade de intimidade física. Acorde-o algumas das vezes e deixe-o dormir noutras. Deste modo ambos terão alternadamente aquilo que querem.

 

 

DIRETRIZES PARA MELHORAR O RELACIONAMENTO SEXUAL

Estas devem ser utilizadas em conjunto com as diretrizes sobre a comunicação, que são igualmente importantes para melhorar o relacionamento sexual.

 

O seu terapeuta discutirá consigo as instruções correspondentes a cada fase antes de lhe pedir que as ponha em prática. Sugerimos que as leve para casa, as leia cuidadosamente com o seu parceiro e que conversem sobre as mesmas. Discutam quaisquer dificuldades quanto à compreensão das instruções e qualquer ansiedade que sintam quanto a segui-las para que tudo isso possa ser discutido com o vosso terapeuta aquando da próxima visita. Lembrem-se do que dissemos sobre a comunicação. Só quando ambos se sentirem à vontade na “Fase Um” é que lhes será solicitado que passem à “Fase Dois” e assim por diante. Não partam do princípio que podem suprimir determinada fase, pois é extremamente importante que trabalhem cuidadosamente durante cada uma delas. Se, em qualquer uma se sentirem pouco descontraídos ou tensos, discutam as vossas sensações, tentem de novo e, se necessário, regressem à fase anterior.

 

Para começar, gostaríamos de sugerir restrições bem delineadas para além das quais não deveriam passar numa sessão de relacionamento sexual. A princípio tudo isto pode parecer de uma frieza clínica, como se estivessem a fazer amor sob as ordens do médico, mas trata-se apenas de uma fase temporária. Dentro de pouco tempo vocês conseguirão estabelecer a vós próprios limites quando fazem amor – conseguirão ser capazes de dizer “pára”, sem recearem que o vosso parceiro se sinta aborrecido, zangado ou rejeitado. Só quando esta fase for ultrapassada e se sentirem suficientemente seguros para aceitar parar é que poderão desfrutar do prazer de continuar uma relação sexual interrompida.

 

 

FASE UM

“FOCO SENSORIAL” sem contacto genital

– fazer festas ao parceiro para prazer do próprio

 

Esta fase do programa realça a importância de afastar a ansiedade através da imposição de restrições. Deverá ser feito um acordo formal entre vós para proibir quaisquer tentativas de terem relações ou contacto genital antes de se sentirem seguros nas fases iniciais do programa. Isto implica que haja confiança de ambos os parceiros na obediência mútua ao acordo e qualquer tentativa de sabotar esta confiança deve ser tomada seriamente. Esta proibição é essencial se desejar reduzir a ansiedade relativa ao desempenho do ato sexual, pois suprime qualquer objetivo específico, reduz a obrigatoriedade de ser bem sucedido, permite experimentar novas sensações e deixa que o contacto físico se transforme num fim em si próprio.

 

Deve contar com três sessões por semana, cada sessão a ser dividida em duas partes. O parceiro A (o homem ou a mulher) inicia as sessões quando ele ou ela o quiser, dizendo ao parceiro B “Gostaria de te fazer festas ou de te acariciar” (ou palavras com esse mesmo fim). O parceiro B pode aceitar o convite ou recusá-lo, tal como ele ou ela o desejar. Se ele aceitar o convite, então assumir-se-á que B desejará mais tarde, durante a mesma sessão, acariciar A. Na próxima ocasião deve ser o parceiro B a iniciar.

 

PONTOS IMPORTANTES A RECORDAR

1. Se for você a acariciar, afirme-se. Toque no seu parceiro onde lhe apetecer tocar (em qualquer ponto do corpo com exceção da zona genital e do peito) de maneira agradável para si e durante o tempo que lhe apetecer. Experimente tocar em partes do corpo onde nunca tocou antes.

 

2. Se estiver a ser acariciado, descontraia-se. Proteja-se se não gostar daquilo que lhe está a ser feito (o modo mais fácil de o fazer é mudar a mão do parceiro para outro local). Terá que se aperceber se ou quanto está a “fazer de espetador”, o que significa observar o seu corpo a ser acariciado em vez de participar totalmente sentindo as sensações que experimenta.

Não se preocupe se isto acontecer no início; você terá que aprender a compreender quando está a fazer isto e aprender modos de sentir esta situação.

 

Há duas coisas a fazer:

a) Concentre-se em descontrair todo o seu corpo e concentre-se, além disso, nas sensações produzidas pelo seu parceiro;

b) Parar com as carícias durante um curto período de tempo, até se sentir suficientemente descontraído(a) e pronto(a) para recomeçar.

 

3. É agradável acariciar e sentir-se junto ao parceiro.

 

4. É agradável ser acariciado.

 

5. Tentem 3 sessões por semana cabendo uma vez a uma e uma vez a outro iniciar as sessões, sendo o iniciador a acariciar primeiro.

 

6. Poderá ter que se forçar a iniciar uma sessão, sentindo-se pouco motivado ou com falta de ímpeto para começar. Isto é uma experiência vulgar devido em parte à artificialidade da situação, e em parte porque as pessoas se sentem um pouco embaraçadas e estranhas de início, levando a uma resistência prolongada a contactos corporais após experiências anteriores

que correram mal. É importante considerar esta Fase como um passo para uma relação sexual espontânea.

 

7. Algumas pessoas acham esta Fase agradável, relaxante, outras acham-na excitante. Não importa o que é que sente, importa é que o aprenda a reconhecer.

 

8. Se, após a sessão, você estiver muito excitado e incapaz de acalmar, é totalmente aceitável que alivie a tensão masturbando-se mas deve fazê-lo a si próprio nesta fase, não lhe deve ser feito pelo seu parceiro. Se tiver a noção exata destas restrições, provavelmente achará que este alívio de tensão não é necessário.

 

 

FASE DOIS

“FOCO SENSORIAL” sem contacto genital

– fazer festas tanto para o seu próprio prazer como para o prazer do parceiro

 

Esta Fase é semelhante à primeira. Cada sessão tem duas partes, com uma pessoa começando a acariciar primeiro, de maneira que seja agradável para ele ou para ela, seguindo-se a segunda parte em que é o outro que acaricia. Mas além disto indicarão ao parceiro o que é que gostam que seja feito. Se você está a ser acariciado tente:

a) Descontrair-se;

b) Proteger-se – se não gostar daquilo que o parceiro lhe está a fazer, mude-lhe a mão para outro local;

c) Elogie e fomente as coisas de que gosta, quer com palavras, ou com sons ou incitando o parceiro a colocar a mão no local em que lhe agradou o contacto, embora não deva passar a controlar totalmente a situação, pois esta é da responsabilidade do seu parceiro).

 

Se há alguma coisa que lhe pudesse ser ainda mais agradável, ponha a sua mão em cima da do seu companheiro para lhe mostrar como gostaria que ele actuasse (com mais força, mais levemente, mais depressa, mais devagar, mais para a esquerda, etc.) e em seguida deixe o seu parceiro atuar. Deste modo, a pessoa que acaricia mantém o controlo total mas a pessoa que está a ser acariciada começa a dar algumas ideias do que é agradável para ele ou para ela. Mas, lembre-se, cabe à pessoa que acaricia escolher o que faz. Lembrem-se de discutir um com o outro o que sentem depois de cada sessão, ou seja, “auto-afirmar-se” e “auto-proteger-se”. Lembre-se de que é agradável ver o seu parceiro a gostar de ser acariciado por si.

 

 

FASE TRÊS

“FOCO SENSORIAL” com contacto genital

 

A esta fase do programa aplicam-se exatamente os mesmos princípios básicos.

 

1. Mantém-se a proibição das relações sexuais. Permitindo-se agora contactos genitais com as mãos e/ou a boca.

 

2. Cada sessão tem duas partes como anteriormente. A acaricia B e depois B acaricia A.

 

3. Tal como anteriormente, as sessões são iniciadas pelos parceiros alternadamente, com o iniciador a acariciar do modo como deseja, com o parceiro a proteger-se de ser magoado e guiando a mão para mostrar o que é mais agradável. Quando se dá o contacto genital, as alterações subtis na pressão, velocidade ou direção podem ter efeitos profundos na sensação recebida, tornando-se portanto ainda mais importante ser capaz de comunicar o que é melhor para si e recorde-se que não será o mesmo para cada sessão. A sensibilidade do seu corpo pode mudar de dia para dia.

 

4. Não se concentre nas regiões genitais, passe tanto tempo como anteriormente acariciando o corpo em geral e beijando-o.

 

5. A utilização de loções ou de óleos pode aumentar o prazer tanto para o acariciador como para o acariciado, especialmente quando se tocam nas zonas genitais é recomendada.

 

6. O único objetivo é ser capaz de se descontrair e sentir prazer com o que está a acontecer. Verifique se não está na posição de espetador e aprenda meios de voltar a descontrair-se e de se envolver totalmente.

 

7. O parceiro que está a ser acariciado pode ou não sentir-se excitado e pode ou não ejacular ou atingir o clímax. A resposta variará de sessão para sessão, o que é normal. Não espere um clímax ou orgasmo, mas se acontecer não faz mal, e não tem que forçosamente significar o fim da sessão.

 

8. Se a ejaculação prematura for um problema, ser-lhe-ão dadas sugestões adicionais sobre o modo como lidar com este assunto.

 

 

FASE QUATRO

“FOCO SENSORIAL” com contacto genital e carícias simultâneas

 

Quando as carícias e o contacto genital se tornam mais fáceis para os dois, devem então passar às carícias simultâneas para que ambos estejam a dar e a receber prazer físico ao mesmo tempo, recordando-se de todos os princípios que já aprenderam.

 

Lembre-se em especial que:

1. O sexo é uma resposta natural se o deixarem acontecer;

2. Mantenha-se alerta quanto ao agirem “como espetadores”;

3. Comunique com o seu parceiro quando este estiver a fazer qualquer coisa que lhe é particularmente agradável;

4. Proteja-se contra as coisas de que não gosta.

 

 

FASE CINCO

CONTENÇÃO VAGINAL

 

Quando deixarem de sentir problemas com o “foco sensorial” com contacto genital e o parceiro masculino tiver ereções razoavelmente firmes (é aplicável caso tenha começado a ser capaz de controlar as ejaculações), estão prontos para entrarem nesta fase do programa.

Tal como anteriormente, esta fase foi concebida para permitir a liberdade de experimentar sensações de contacto físico um com o outro sem ansiedade quanto ao desempenho, isto é, receio de ser incapaz de atingir determinado objetivo.

 

Após um período de carícias mútuas envolvendo a zona genital, quando a mulher está pronta, e quando sentir que o seu parceiro tem uma ereção razoavelmente firme, estimule a penetração do pénis na vagina.

 

A posição mais fácil é a “mulher por cima”. Nesta posição o homem deita-se de costas. A mulher ajoelha-se por cima do homem com os joelhos de cada lado do corpo dele. Os joelhos dela devem ficar mais ou menos ao nível dos mamilos dele. Nesta posição, a mulher está bem colocada para, descendo a pélvis, guiar e inserir o pénis na vagina. Isto significa que a mulher mantém controlo total sobre o que está a acontecer. O objetivo desta fase é o de adaptar o casal à sensação física do pénis na vagina. A mulher deve apertar e relaxar os músculos vaginais sobre o pénis, que ela poderá ou não sentir quando este se encontra dentro da vagina. O pénis em si recebe pouco estímulo direto, pois esta posição é estática, o que pode levar a que a sua ereção diminua. Se desejar volte às carícias genitais e repita o processo de novo.

 

Inicialmente a contenção vaginal deve durar apenas um período breve (digamos 15 segundos). O período de contenção pode ser gradualmente aumentado em cada sessão.

 

 

FASE SEIS

CONTENÇÃO VAGINAL COM MOVIMENTOS

 

É importante realçar de novo que nesta fase se utilizam os mesmos princípios relativos ao contacto físico um com o outro que foram utilizados desde o princípio. Deve acariciar e ser acariciado de uma maneira que seja agradável para ambos e sem qualquer objectivo específico em mente a não ser o de dar e receber prazer.

 

Tal com anteriormente, comecem por carícias mútuas envolvendo tanto as zonas genitais como as não-genitais, de modo agradável para ambos e embora o homem possa ter uma ereção logo no início, é importante que ambos se sintam excitados e recetivos antes de se realizar a penetração vaginal.

 

Depois de um período de contenção vaginal, pode tentar alguns movimentos pélvicos pouco vigorosos para ver como é que isto afeta as sensações. Faça-o só durante um curto período no início, mas se estão ambos a gostar das sensações produzidas, permitam que os movimentos continuem.

 

Nesta fase é essencial que cada um de vós possa dizer “pára” em qualquer altura. Deste modo evitam a sensação de que uma vez quando “as relações vaginais” se iniciarem têm que continuar até ao fim. Vocês estão agora a estabelecer os limites a vós próprios. Pratiquem-no dizendo “pára”. Lembre-se que mesmo que esteja a gostar de fazer amor o seu parceiro pode querer parar e necessitar de ser capaz de o fazer, sem recear que você se zangue. Isto é que é uma relação sexual segura – e quando se sentir realmente seguro vai querer continuar.

Na relação sexual os movimentos físicos produzem sensações diferentes, consoante as diversas posições utilizadas e é importante experimentar para encontrar posições que vos agradem a ambos. Pode acontecer que uma posição seja agradável para um dos parceiros, enquanto o outro prefira uma posição diferente.

 

A sua resposta variará de sessão para sessão e de mês para mês. Isto é normal para ambos os sexos. Muitas mulheres têm ligeiramente menos lubrificação e menos probabilidades de atingir o clímax imediatamente antes de um período menstrual, mas nem sempre é assim. Muitas mulheres gostam de estimulação clitoriana para além dos movimentos do pénis, e a maioria atinge o clímax mais confortavelmente e com mais prazer deste modo.

 

Isto é normal e não é sinal de não se encontrar totalmente excitada. Muitas mulheres podem igualmente ter uma experiência sexual altamente excitante sem clímax. É uma regra importante recordar que desde que o contacto físico seja agradável, não há necessidade de haver orgasmo. É igualmente um mito que atingir o orgasmo em simultâneo é o ideal. Muitas pessoas acham muito agradável gozar a experiência do clímax do parceiro, separadamente da sua, ao passo que outras ocasiões gostam que ocorra simultaneamente. Tudo isto são variações sobre o tema de fazer amor e aquilo de que gosta dependerá das suas sensações e estado de espírito na altura. O único objectivo é o de obter prazer juntos.

 

 

EJACULAÇÃO PREMATURA

Este problema pode começar a ser abordado durante a Fase Três (a Fase do programa relativa a “Foco Sensorial com contacto genital”). Tal como já foi referido, todos os homens atingem um ponto de onde é impossível retroceder. Quando atingem esse ponto, a ejaculação é inevitável. Enquanto a sua parceira lhe acaricia o pénis, pode sentir-se de tal modo excitado que é capaz de prever que vai ejacular em breve.

 

Deve tentar parar as carícias da sua parceira numa fase imediatamente anterior ao ponto em que não há possibilidade de retroceder, e permitir que o seu nível de excitação diminua ligeiramente (digamos, durante meio minuto), regressando depois às carícias e repetindo o processo de parar quando sentir que se está a aproximar de novo do ponto de inevitabilidade ejaculatória. A dificuldade reside no saber em que ponto pedir à sua parceira para parar.

 

Este é um processo de aprendizagem que qualquer homem tem que fazer em determinada fase da sua vida e nunca é demasiado tarde para se aprender a controlar a ejaculação. Levará, contudo, tempo e necessitará de prática e da compreensão e cooperação total da sua parceira. Assim que o seu nível de ansiedade começar a baixar e a sua confiança a aumentar, achará cada vez mais fácil controlar a sua ejaculação, e uma vez que se dê uma ligeira melhoria, a sua confiança aumentará ainda mais e a sua ansiedade decrescerá.

 

Se tiver dificuldades em controlar a ejaculação utilizando este método (e lembre-se de que pode levar tempo, pois está a mudar o que é talvez uma prática muito estabelecida), tente, a “técnica da compressão”.

 

Esta técnica deve ser aplicada imediatamente antes da inevitabilidade ejaculatória e após ter cessado qualquer estimulação do pénis. Consiste em comprimir firmemente e durante cerca de 10 segundos a base da glande do pénis utilizando os dedos médio, indicador e polegar, o que pode ser feito pelo próprio ou pela parceira. Isto reduz a resposta reflexa da ejaculação (e possivelmente também a erecção), do mesmo modo que morder um lábio para o espirro. Pode então recomeçar a estimulação e repetir o processo caso seja necessário.

 

Tanto a técnica do parar-recomeçar como a da compressão conseguem retardar a ejaculação durante a estimulação manual do pénis ou durante as relações sexuais na fase mais avançada do programa.

GÉNERO, SEXUALIDADE E SAÚDE MENTAL

 

A sexualidade é um tema constante de conversas, artigos em jornais e revistas, histórias do cinema e da televisão, capaz de provocar o riso, a dúvida, a vergonha, a curiosidade.

 

A sexualidade é habitualmente tida como um contacto entre pessoas que provoca um dado tipo de prazer (dito sexual) e que é base para a reprodução. Contudo, o sentido do que é sexual, erótico e íntimo pode abranger outros aspetos, de acordo com as múltiplas perceções existentes sobre este assunto.

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